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Notícias :: Entre o mito e o vazio, nascerá a aurora – Por Jardel Pacheco – A Tribuna 07/12/2025




Por Jardel Pacheco
Professor, escritor, diretor de Relações Públicas da Contemporânea – Projetos Culturais e membro da Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios





Em uma época desprovida de tecnologia avançada, quando o mundo ainda se guiava apenas pelo instinto e pela contemplação, surgiu uma estrela. Não era somente um ponto de luz no firmamento: era a promessa profetizada, anunciada como redenção da humanidade. Seu brilho rasgava a noite como se fosse um chamado, um sinal de destino vivo.

Passaram-se mais de dois milênios e, dos confins do infinito, revelou-se Atlas. Não o titã lendário, condenado a sustentar o cosmos, mas um astro errante que herdará seu nome como metáfora. Assim como o titã que viajava o céu, este viajante celeste também se tornou um mensageiro, lembrando-nos da solidão inevitável da vida. Logo surgiram perguntas: esta viagem cósmica tem algum propósito? Há invasores celestes? Não havia profecia, tampouco salvador; apenas o eco dos nossos medos. Foi nesse instante que o firmamento, palco de esperanças, tornou-se tela de paranoia. A estrela que poderia ser guia convertia-se em ameaça. E o nosso céu, risco de extinção.

O mito se desfaz, e é conspiração que se instala. A ciência se mostra impotente, e a fé, cega. Mas ainda há quem olhe para o alto e veja beleza. Ainda há quem, mesmo diante do medo, encontre sentido na vastidão.

A primeira nave humana cruzou o espaço e, ao tocar o firmamento, não encontrou deuses nem demônios, apenas o silêncio. E nesse silêncio, a humanidade se viu refletida, como se o cosmos fosse um espelho da nossa própria essência.

A astronauta que pisou em solo lunar não anunciou uma nova era, tampouco um salvador. Os sinos não indicaram redenção. Mas sua presença ali, solitária, foi o marco de uma nova visão. Os corações vibraram como antenas telepáticas de harmonia e a Terra, enfim, tornar-se-á lar. A essência nos guia na luz acesa em cada ser humano para iluminar o caminho da paz mundial e resenhar a imagem do nosso Cruzeiro do Sul.

Deste modo, como quem recolhe o que se perdeu na travessia, o que se passa vale se transfigurar, e até a estrela rasga a noite, se acende. Passagem entre lenta ascensão, como chama em contínuo, e retorno, como eco do infinito. A aurora se insinua no horizonte, não como redenção, mas como alvorada. Nasce entre o mito e o vazio, sob a promessa de esperança, no âmago do ser humano.



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