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10 de janeiro de 2018

Notícias :: Discurso de Posse de Flávio Viana Barbosa


João Ramalho

Dr. Flávio Viana Barbosa, nosso querido acadêmico nos enviou seu discurso de posse onde recebeu a honra de ocupar a cadeira de João Ramalho. Como reconhecimento de suas atuações e como profundo pesquisador e historiador, merecida cadeira não poderia ter melhor representante para esta figura tão importante da história do Brasil

Segue discurso completo

 

BOA NOITE A TODOS E TODAS.

Saúdo a mesa de autoridades, na pessoa da nossa ilustríssima Presidente Sra. Regina Dias Fernandes, fundadora dessa Academia e estendo meus cumprimentos aos demais membros e autoridades que compõem e mesa.

A Sra Regina Dias é a minha madrinha nesse colegiado das artes, sendo a principal culpada por eu estar aqui, nessa noite, tomando assento numa das cadeiras magnas na honrosa Academia Vicentina de letras, artes e ofícios, “Frei Gaspar da Madre de Deus”.

Faço, ainda, uma saudação especial a Sra. Clarice Capusso Velloso, que era a Presidente à época de meu ingresso, como membro, nos quadros dessa Associação e que, juntamente com toda a diretoria de então, me acolheu de forma carinhosa no seio dessa agremiação dedicada às artes, a cultura e ao conhecimento.

Essa Academia de letras acaba de comemorar seu primeiro lustro de criação e, sendo combativa nessa cidade, executa sua missão derivada dos anseios dos grandes escritores de outrora, fundadores da Academia Brasileira de Letras, no apagar das luzes do século 19, mais exatamente a 20 de Julho de 1897.

Fazendo jus a esse legado, nesses onze anos, essa Academia Vicentina deu e está dando posse a novos acadêmicos, doou e instalou o busto de seu patrono, Frei Gaspar da Madre de Deus, nas praias vicentinas, coroando sua dedicação à memória e a História de nossa cidade.

Dito isto, reafirmo que não me sinto a altura de ombrear esforços com os demais confrades Acadêmicos, mas que, uma vez eleito pelos senhores e senhoras para inaugurar a cadeira de número vinte e cinco, irei me esforçar ao máximo para merecer meu ingresso no seleto grupo dos imortais vicentinos.

Sim, a imortalidade do Acadêmico não nos permite vencer o Anjo da Morte, de modo a impedi-lo de ceifar nossa alma e de por fim a nossa efêmera e curta passagem por esse plano físico da dimensão que denominamos planeta Terra.

Se a dita imortalidade nasceu de uma pequena brincadeira do poeta parnasiano Olavo Bilac, ao falar, nos primórdios da Academia Brasileira de Letras que: "Somos imortais porque não temos onde cair mortos." Também exprime o desejo do poeta, para Goeth: “As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade.” 

Entretanto, Senhores Acadêmicos, essa imortalidade nos permite driblar a morte implacável, permanecendo vivos nas palavras e gestos entoados nas Tribunas ocupadas por nossos sucessores nas cadeiras dessa Academia de letras. Essa é a visão do filósofo Diderot, para quem “a imortalidade é uma espécie de vida que nós adquirimos na memória dos homens.”

É para isso que dedicamos uma vida em prol da arte, do conhecimento, da técnica, afinal: “Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do acto de escrever” como afirmou, certa vez, o escritor português JOSÉ SARAMAGO. Forçoso concluir que: “Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos.” Concordando com a sentença de CORA CORALINA.

Esse orador tem dedicado sua vida nos bancos universitários do Brasil e da Argentina, a aperfeiçoar-se na arte de escrever. Mesmo que seja o seu limitado estilo de escrita, voltado ora para a defesa de teses jurídicas nas barras dos fóruns de nosso país, ora na tentativa de preservar a História de nossa cidade, por meio de um artigo cientifico. São textos técnicos, muito aquém do brilhantismo exigido de quem, por vaidade, procura intitular-se, verdadeiramente, escritor.

É, portanto, missão primordial de cada Acadêmico fazer a saudação, defender e exaltar a memória do patrono de sua cadeira, que lhe dá o nome e  destaque, bem como de cada um de seus antecessores, concedendo-lhes, assim, a imortalidade perene de sua vida, biografia e obra.

Nesse diapasão, coube a mim, a grata honraria de ser o pioneiro da cadeira de número 25 (vinte e cinco) dessa Academia de letras, cujo patrono é João Ramalho! Antes, contudo, de falar sobre o senhor dos Campos de Piratininga, cumpre-me, ainda, buscar nas brumas do tempo a lembrança do primeiro Acadêmico dessa Casa com que tive o prazer de travar amizade:

O amigo, já falecido, mas cuja figura poética nos remetia aos cavalheiros de fino trato de outrora, marcou profundamente a retina desse orador.

Invoco a memória perene do Príncipe dos Poetas, o inesquecível Acadêmico Antonie Lascane, para que ilumine a estrada tortuosa que esse frágil orador enfrenta nessa noite tão desafiadora, na doce e difícil missão de inaugurar a cadeira vinte e cinco dessa Academia.

Ao recordar-me de sua fala tranqüila, serena e destoante de seu olhar determinado, me surge a mente sua figura única, nobre e carinhosa, bem como a sua generosidade ao retirar dos bolsos de seu paletó, pequenos trechos de poemas de sua autoria e distribuir nas ruas do centro de São Vicente aos amigos e conhecidos, como pílulas de saber em versos e rimas que pavimentaram a sua passagem pelas terras de João Ramalho.

Me espelho, nesse momento, na memória desse Príncipe Poeta, para iniciar minha alocução nessa noite, afinal, nas palavras do gênio Charles Chaplin:

“Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui, o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas idéias e a nobreza dos seus ideais.”

Senhora Presidente, autoridades e convidados presentes.

Senhoras e Senhores Acadêmicos.

Nesta digna Academia da Cultura vicentina, caberá a mim, com muita honra, ocupar a cadeira de número vinte e cinco, dedicada a João Ramalho. Entretanto, a primeira pergunta que nos ocorre nesse momento é: Quem foi João Ramalho?

Quem era essa figura curiosa, tão importante na História do Brasil? Afinal, foi um dos primeiros (senão o primeiro) português a dar nas areias das praias da Ilha de São Vicente!

A pergunta não comporta uma resposta fácil!

A verdadeira origem de João Ramalho provocou uma grande celeuma no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, já foi tema de inúmeros livros, artigos e teorias. Sem, contudo, uma unanimidade de opiniões.

Roberto Pompeu de Toledo, historiador renomado, afirma:

“Como é que João Ramalho veio dar com os costados no Brasil é um mistério. Seria um náufrago? Um degredado dos que as naus lusitanas costumavam largar nas terras recém-descobertas? Calcula-se que tenha chegado por volta de 1510. Em 1532, ano da vinda de Martim Afonso de Sousa, comandante da pioneira expedição “colonizadora” enviada pelo governo de Lisboa, ele já era, serra abaixo, em São Vicente, e serra acima, no planalto conhecido pelos índios como “Piratininga”, uma espécie de chefe do pedaço.

João Ramalho vivia entre os índios da região, com quem firmou parcerias que lhes garantiam vantagens nas guerras e nos negócios. Os negócios podiam ser de troca com outros grupos de índios, mas também — e daí a importância de um europeu a comandá-los — de comércio de mercadorias ou de escravos para as expedições que passavam pelo litoral hoje paulista em direção ao Rio da Prata. Entre os índios aliados de João Ramalho, destaca-se o cacique Tibiriçá, tido como o principal dos líderes nativos na região. João Ramalho tomou como esposa, ou pelo menos como uma das esposas, talvez a principal, uma filha de Tibiriçá, Bartira. Formou-se então entre eles uma aliança de sangue que, se tem valor entre outras gentes, entre os índios tem mais ainda. É para toda a vida, e para o que der e vier.

O prestígio e a autoridade de João Ramalho garantiram uma boa acolhida a Martim Afonso, em 1532. (...). João Ramalho ainda prestou um favor extra a Martim Afonso: conduziu-o pelas trilhas que levavam ao alto da serra. A partir daí, os colonizadores ficaram sabendo que lá em cima se estendiam terras mais povoadas, mais férteis e mais ricas de promessas do que a estreita faixa litorânea em que se apertam as ilhas de São Vicente e Santo Amaro.”

Não se sabe, portanto, quem era João Ramalho antes de chegar as praias vicentinas, uma vez que ele nunca abriu em confissão quem era aos padres jesuítas. Uma das versões mais fantasiosas afirma que o jovem João seria um boêmio das tavernas de Lisboa, beberrão e arrogante, teria se desentendido com outro bêbado, com quem haveria de ir a vias de fato, recolhendo-se a sua casa após espancar o incauto adversário da noite.

Na manhã seguinte teria sido preso e levado a presença do Rei de Portugal, que teria recebido a queixa da surra que João aplicara na boemia da noite anterior, sendo sua vitima um sobrinho de El Rei, que, imediatamente, o condenou ao degredo no Brasil.

Ele era português; mas qual a sua terra de origem? Pedro Taques afirma que ele veio de Barcelos, comarca de Viseu. Tomé de Sousa, na sua carta de 1º de junho de 1553, relata que ele era natural do termo de Coimbra. Alguns indicam Vouzelas ou Boucelas como o lugar de seu nascimento.

João Ramalho não deu informações precisas sobre a terra de seu berço. Dela veio estando casado com mulher, que lá deixou e da qual nunca mais teve notícia, supondo-a morta, quarenta anos depois. O padre Manuel da Nóbrega, na carta de 31 de agosto de 1553 ao padre Luís Gonçalves da Câmara, diz que João Ramalho era parente do padre Manuel de Paiva, o celebrante da missa no planalto, a 25 de janeiro de 1554.

Frei Gaspar da Madre de Deus, memorialista beneditino informa que ao saber da chegada de uma armada ao porto de São Vicente, em 1531, Tibiriçá, capitaneando mais de 500 sagitários, com João Ramalho à frente, desceu do planalto para ataque, que não se realizou porque esse seu genro, reconhecendo que a armada era de Martim Afonso, de compatriotas conseqüentemente, negociou e estabeleceu a paz entre os aborígines e os portugueses, por essa forma facilitando a colonização no Sul da América.

Simão de Vasconcelos, cronista da Companhia de Jesus, narra que no tempo da catequese iniciada pelo padre Leonardo Nunes (de 1549 em diante) "havia em São Vicente um João Ramalho, homem por graves crimes infame excomungado", acrescentando que "daqueles Ramalhos, árvore ruim e de pior fruto, foram os maiores males que a própria peste, a suscitar rancores". É verdade que ele não enumera quais os graves crimes cometidos, nem diz a causa da excomunhão, mas o condena formalmente.

O “sobrenome” Ramalho desperta a possibilidade de que ele era judeu, o chamado cristão novo, e que teria adotado o nome de João Ramalho quando veio a dar nas costas brasileiras, assumindo nome cristão para disfarçar sua origem judia, mas optando por um sobrenome de um vegetal, a árvore “Ramalho”, seguindo a tradição de então entre os cristãos-novos. Essa é a hipótese do escritor Afonso Schmidt, em sua obra intitulada: O enigma de João Ramalho.

O fato é que João Ramalho achava-se em São Vicente vinte ou trinta anos antes da chegada de Martim Afonso, sendo essencial para a acolhida dos portugueses, tornando-se uma autoridade destacada nos sertões do Brasil recém colonizado.

Mais uma vez socorremo-nos de Roberto Pompeu de Toledo para entender João Ramalho: “A relação dos padres com João Ramalho foi conflitada. Eles o enxergavam como um bruto que andava nu, tinha várias mulheres e não respeitava os mandamentos cristãos, conforme se lê em suas cartas.”

Entretanto, era João Ramalho o alicerce principal dos jesuítas, na transferência de seu Colégio de Catequese de São Vicente para o Planalto Paulista em 1560, afinal, Martim Afonso tinha proibido, expressamente, que os homens brancos corressem para o planalto, conferindo a João Ramalho o título de Senhor dos Campos de Piratininga e o único com poderes para autorizar a ida de qualquer branco, seja Jesuíta ou não, àquelas paragens.

Título esse que continuou por anos e anos, sendo João Ramalho alçado ao cargo de alcaide mor do campo pelo governador geral do Brasil, Tomé de Souza, nos princípios de 1553, quando este esteve na Capitânia de São Vicente. Foi eleito por diversas vezes vereador em Santo André e continuou a ser eleito vereador em São Paulo, servindo sempre na governança da terra.

Em 1531, o capitão-mór Martim Affonso de Souza doou a João Ramalho a sesmaria na Ilha Guaíba, ao longo do curso do rio Ururaí, até Jaguaporecuba. Ramalho criou a povoação da Borda do Campo, nas vizinhanças da antiga Fazenda e atual Vila de São Bernardo onde vivia com sua vasta prole. Dava origem a atual cidade de Santo André, da qual é considerado fundador.

Depois da partida de Martim Afonso, foram Ramalho e Tibiriça aliados de Braz Cubas, contra os franceses e contra os "antigos da terra", isto é, as outras tribos que se uniram contra os "peros", formando a "Confederação dos Tamoios" que empreenderam a "Guerra dos Tamoios" entre 1554 e 1567, sempre fustigando os portugueses no litoral e no planalto de Piratininga.

Em 1550 foi excomungado pelo jesuíta Simão de Lucena, não por traficar índios, mas por viver "amancebado" com Bartira.

O arraial de Borda do Campo foi elevado a Vila Santo André de Borda do Campo em 08 de setembro de 1553. Capitão de campo, João Ramalho, cumulativamente, foi Alcaide-mor com comando terrestre da vila e também guarda-mor de campo, responsável pela defesa.

O segundo governador geral do Brasil, Dom Duarte da Costa, em um regimento datado de 11 de fevereiro de 1556, dirigido a Braz Cubas, então capitão-mor-loco-tenente em S. Vicente, proibiu a todos o trânsito pelo campo para o Paraguai e expressamente declara "avisareis a João Ramalho, alcaide e guarda-mor do campo que não deixe passar nenhuma pessoa para ele, sem mostrar vossa licença, nem os próprios moradores de Santo André"

Em 28 de maio de 1562, João Colaço, capitão-loco-tenente por Martim Afonso de Sousa, afirma que João Ramalho fora eleito e ele lhe conferia os poderes de Capitão de Guerra contra os índios do irmão do Cacique Tibiriça, Piquerobi, que atacaria São Paulo em 1562. João Ramalho, após chefiar as obras de fortificação dos muros e baluartes da Vila, foi encarregado, em 1563, para buscar pólvora para a defesa da Vila.

A disputa ou a animosidade entre João Ramalho e o catequista Padre Leonardo Nunes, bem como os relatos impressionantes dos crimes de João Ramalho a fé cristã, também não impediu que desse apoio do Padre Manoel da Nóbrega na empreitada de fundar o colégio.

A rixa entre os dois quase beirou a tragédia, uma vez que o Padre Simão de Vasconcelos relatou que, em um determinado dia, foi o de João Ramalho entrar na igreja e querer assistir missa, a que o padre Leonardo Nunes se recusou terminantemente a celebrar enquanto o infame, o excomungado daí não se retirasse. Então um dos filhos de João Ramalho, armado de pau, lançou-se ao sacerdote para matá-lo, no que foi obstado por uma mulher que se interpôs. É evidente que o ato violento não partiu de João Ramalho, nem o padre Simão de Vasconcelos diz que ele o tivesse ordenado, mas dá o tom da relação instável com o Padre Leonardo Nunes.

Entretanto, vejamos como o Padre Manoel da Nóbrega se refere, numa carta de 15 de junho de 1553 para o padre Luís Gonçalves da Câmara, em Portugal, sobre João Ramalho:

"Nesse Campo está um João Ramalho, o mais antigo homem que nesta terra está. Tem muitos filhos e muito aparentados com todo este sertão. E o mais velho deles, levo agora comigo ao sertão por mais autorizar o nosso ministério. João Ramalho é muito conhecido e venerado entre os gentios e tem filhas casadas com os principais desta terra. De maneira que nele, e nela e em seus filhos esperamos ter grandes meios para conversão destes gentios. Esse homem, para mais ajuda, é parente do pe. Paiva, cá se conheceram. Quando veio da terra, que havia quarenta anos e mais, deixou a sua mulher lá, viva, e nunca mais soube dela, mas que lhe parece que deve ser morta, pois já vão tantos anos. Deseja muito casar com a mãe destes seus filhos. Já para lá se escreveu e não veio resposta deste seu negócio. Portanto, é necessário que V. Rma. envie logo a Vouzela, terra do pe. Mestre Simão, e da parte de Nosso Senhor lhe requeiro; porque si este homem estiver em estado de graça, fará Nosso Senhor por ele muito nesta terra. Pois estando em pecado mortal, por sua causa e sustentou até agora. E, pois, isto é cousa de tanta importância, mande V. Rma. logo a saber a esta informação de tudo isto o que tenho dito"

Não se pode duvidar, ainda, da ascensão de João Ramalho junto ao sogro Cacique Tibiriça e do poderio do exército indígena que este comandava, tendo, inclusive, servido de segurança aos padres jesuítas nos primórdios de seu colégio catequista na Vila de São Paulo. Segundo o alemão Ulrich Schmidel, em seu livro “Viagem ao Rio da Prata”, ele era capaz de mobilizar 5 mil homens em um só dia, se fosse necessário.

Em 1564 João Ramalho foi ainda eleito vereador em São Paulo, ofício que recusou, respondendo que era um homem velho, que passava dos setenta anos, cansado que estava da vida pública.

A sua descendência, em filhos, netos e bisnetos, todos cristãos, era tão numerosa, que Tomé de Sousa julgava coisa inacreditável e não o ousava dizer a d. João III, mas afirmava que João Ramalho tinha mais de 70 anos, e ainda caminhava nove léguas ( légua portuguesa equivalia a cinco Km.) antes de jantar e não tem um só fio branco na cabeça nem no rosto.

Em 1568, o jesuita Baltazar Fernandes disse que Ramalho tinha "quase 100 anos". Em 30 de setembro de 1576, ainda assinou ata da Câmara de São Paulo como vereador, mas, já idoso, afastou-se de tudo, indo viver entre os índios Tupiniquins no vale do Paranaíba.

João Ramalho morreu em 1580, em São Paulo de Piratininga em 1580 com mais de 95 anos de idade. Por estas contas teria nascido em mais ou menos 1485.

Por fim, ressalto que esse degredado é, ainda, um dos poucos homens de nossa História citado nominalmente no Hino oficial do Estado de São Paulo, junto com sua esposa, Bartira. Vejamos:

Além, lá no alto

Bartira sonha sossegadamente

Na sua rede virgem do Planalto

Espreita, entre a folhagem de esmeralda

Beija-lhe a Cruz de estrelas de Grinalda!

Agora escuta!

Aí vem, moendo o cascalho

Botas de nove léguas, João Ramalho.

Ramalho é considerado o patriarca dos mamelucos, pai dos paulistas o “fundador da paulistanidade”, sendo que alguns de seus descendentes são bastante famosos, como a Rainha Silvia, que foi casada com Carl Gustv 16, da Suécia e a escritora Lygia Fagundes Telles.

Esse foi João Ramalho!
Muito obrigado.

Advogado e Historiador
Doutorando em ciência da educação - UNR Rosário - Argentina
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